O projeto busca atender clientes "hyperscale" e surge pelo interesse do público-alvo no hub da Praia do Futuro. Foto: Scala Data Centers/Divulgação.

Empresa investe R$ 1,5 bilhão no Ceará com data center na Praia do Futuro

A Scala Data Centers anunciou que o investimento destinado à instalação total de seu novo data center no hub da Praia do Futuro, em Fortaleza, pode chegar a R$ 1,5 bilhão.

 

A previsão é de que sejam construídos dois prédios, com capacidade total para quase 20 Mega Watts (MW), e uma subestação de energia. No momento, a empresa está realizando as obras do primeiro edifício e da rede elétrica, que totalizam um aporte entre R$ 650 milhões e R$ 670 milhões.

 

Os valores foram esclarecidos pelo vice-presidente sênior de Desenvolvimento Corporativo, Energia e Imóveis da Scala Data Centers, Luciano Fialho, em entrevista ao Diário do Nordeste.

 

Uma parte do primeiro prédio, segundo Fialho, já está sendo entregue e tem capacidade de 2,4 MW. Para essa construção, foram gastos R$ 250 milhões, e os R$ 400 milhões restantes serão investidos na finalização deste edifício.

 

Quando estiver finalizado, o data center oferecerá “um espaço energizado, [com] bastante fibra óptica; um sistema de refrigeração poderoso, porque as temperaturas podem chegar acima de 70º; e a infraestrutura para operação”.

 

Previsão de entrega

 

A informação inicial é de que o primeiro prédio seria inaugurado no primeiro trimestre deste ano. Entretanto, as obras ainda não foram finalizadas.

 

Fialho afirmou que ainda não há uma data específica para as operações serem iniciadas, e que os prazos dependem principalmente da demanda dos clientes, mas que a etapa inicial do primeiro prédio está finalizada e já pode ser ocupada por clientes.

 

“Eu não tenho ainda toda a demanda para utilização do prédio inteiro. A gente está conversando com os clientes, porque agora nós estamos entregando o início da demanda. [...] Se você quiser dar um horizonte, uma projeção, eu vou ocupar o primeiro edifício em 2026 e 2027. Aí eu começaria, dependendo da demanda, a construção, também em 2026 ou 2027, do segundo edifício. Mas eu não tenho isso ainda”

 

Entre os motivos, ele declarou que a demora se dá, também, por causa da compra dos equipamentos para o maquinário de esfriamento, que são comprados em diferentes partes do mundo. “Então, dificilmente você consegue fazer um data center hoje e entregar em menos de um ano e meio ou dois anos”, explicou.

 

Segundo o vice-presidente, uma vez finalizado, o data center será um “pedaço de infraestrutura digital” que irá permanecer em funcionamento por cerca de 15 a 20 anos. As obras do centro, conforme a empresa, estão gerando 700 empregos. Quando as operações forem iniciadas, ele irá criar 60 postos de trabalho diretos.

 

Interesse no hub da Praia do Futuro

 

O público-alvo da Scala Data Centers nos centros de processamento é voltado para os chamados “hyperscale”, ou hiperescala, que lidam com uma grande quantidade de computação de dados e escalabilidade extrema.

 

Ano passado, o fundador e CEO da empresa, Marcos Peigo, afirmou que a Scala mira grandes nomes, como Amazon, Microsoft e Google. Ele havia indicado que dois “clientes-âncora” já possuíam contrato para utilizar a estrutura de empreendimento da escala.

 

Apesar de não revelar nomes, Fialho reforçou que o número de clientes com contrato firmado para se instalar no data center ainda permanece em dois. Além disso, ele afirmou que a construção do data center na Praia do Futuro se deu por demanda do público consumidor.

A região de Fortaleza chama atenção das empresas pelo grande hub de cabos submarinos existentes, um total de 16. Esse valor faz da cidade a segunda mais conectada do mundo, com cerca de 90% da internet brasileira passando pela Capital.

 

Consumo de água e energia

 

A energia total, quando somados os dois prédios, pode chegar à capacidade de 20 MW, segundo Fialho.

 

Apenas o primeiro edifício poderá contemplar até 7 MW de processamento. O vice-presidente explica que a parte já finalizada desta instalação começará a armazenar a partir de 600 quilowatts (kW) e, depois, aumentará até sua capacidade inicial total de 2,5 MW.

 

Já para o gasto de água, Fialho não apresentou quantitativos, mas afirmou que “não vai consumir água”, pois o site será preenchido uma única vez e, após isso, ela estará em constante reuso.

 

A empresa afirma que a Eficácia do Uso de Água (WUE), ou seja, a relação entre a produção obtida e a quantidade consumida, é zero. Isso se dá devido ao sistema fechado utilizado pela companhia, que promete circular a água no site sem evaporação ou descarte.

 

Um estudo da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), publicado em junho de 2025, apontou que esses sistemas necessitam de 23m³ de água, ou 23 mil litros, para cada 1MW.

 

Com base no levantamento, a capacidade ofertada pela etapa concluída do primeiro preédio deve dispor de 57,5 mil litros (57,5m³), enquanto a de 7 MW deve gerar um uso único de 161 mil litros (161 m³).

 

Ao final da instalação dos dois prédios, que devem comportar até 20 MW, o consumo de água nesse sistema fechado deve ser aproximadamente de 460 mil litros (460 m³).

 

*Estagiária sob supervisão do jornalista Hugo R. Nascimento.

 

(Fonte: Diário do Nordeste)

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