• 13 de agosto de 2020

Entregadores de aplicativos do Ceará devem aderir à nova paralisação nacional no dia 12 de julho

 Entregadores de aplicativos do Ceará devem aderir à nova paralisação nacional no dia 12 de julho

Imagem: Fabio Lima/ O POVO

Participação dos trabalhadores do Estado pode ser limitada, no entanto. Organizador de um movimentos de entregadores defende que pautas do protesto sejam melhor definidas.

Entregadores de aplicativos programam nova paralisação nacional para o dia 12 deste mês. O POVO entrou em contato com entregadores do Ceará e confirmou que a mobilização, conhecida como “Breque dos Apps”, deve acontecer novamente no Estado.

De acordo com Cleiton Farias, fundador de uma das associações que participou do protesto na última quarta-feira, os entregadores seguem “desamparados pelas empresas que trabalham por meio de aplicativos”, mesmo após a primeira mobilização. Ele explicou que as respostas dadas pelas empresas como resposta à manifestação não foi satisfatória e os trabalhadores continuarão mobilizados para que as causas sejam atendidas.

Farias alega que as empresas teriam divulgado informações falsas para a imprensa. Uma das principais reclamações é em relação aos bloqueios. Ele defende que há relatos de entregadores que não conseguem cumprir o horário em um pedido e passam o resto do dia sem receber novas entregas. “As empresas não estão nem aí, não houve nenhuma manifestação em prol dos motoboys”, disse.

Segundo a Folha de São Paulo, os entregadores realizaram nesta sexta-feira uma enquete para decidir a data de uma nova manifestação. Vinte seis mil entregadores de várias cidades do Brasil participaram de enquete para definir a nova data.

Pleitos da categoria

Entre as reivindicações da categoria, estão o aumento do pagamento das corridas por quilômetro rodado e o aumento do valor mínimo da corrida. Além disso, os entregadores lutam pelo fim dos desligamentos indevidos e do sistema de pontuação dos aplicativos.

Outra reclamação é a falta de um auxílio-alimentação. Em entrevista ao O POVO, a procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho do Ceará, Mariana Férrer, falou do “contrassenso” dos entregadores transportarem refeições para clientes e ao mesmo tempo passar fome durante a jornada de trabalho.

O entregador Edivan Souza, conhecido como Edy, aponta que as reivindicações levadas ao protesto não são comuns a todos os entregadores e está avaliando se participará da mobilização que está sendo organizada para o próximo dia 12. Ele cita, por exemplo, a defesa de que a categoria deve ser regularizada por meio da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que não é um desejo de todos os manifestantes, segundo ele.

Para Souza, organizador de um dos movimentos de entregadores, a pauta dos protestos devia se concentrar em pontos principais, como o aumento do valor das corridas, o fim dos desligamentos indevidos e o direito ao seguro-roubo. “Nosso movimento é apartidário, sem vínculo político e surgiu diante da revolta e exploração. Nossa categoria precisa ser vista com seriedade”, enfatizou.

Posicionamento das empresas

Diante das reivindicações da última quarta-feira, 1º, a reportagem procurou as principais empresas que atuam com plataformas de entregas. Em nota, a Rappi afirmou que “reconhece o direito à livre manifestação pacífica e busca continuamente o diálogo com os entregadores parceiros de forma a melhorar a experiência oferecida a eles”. A empresa afirma que durante a pandemia aumentou o time de atendimento e ampliou o contato com os entregadores.

A Uber enviou nota divulgada pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), a qual a empresa é associada. O texto defende que as plataformas têm implementado ações de apoio aos entregadores parceiros no contexto da pandemia. Entre elas, estão a distribuição gratuita ou reembolso pela compra de materiais de higiene e limpeza, além da criação de fundos para o pagamento de auxílio financeiro para parceiros diagnosticados com Covid-19 ou em grupos de risco.

Em nota, o Ifood disse que apoia a liberdade de expressão “em todos as suas formas” e “em nenhuma hipótese” entregadores serão desativados por participar de movimentos. A empresa ainda esclarece que casos de desligamento são feitos somente quando há um descumprimento dos Termos & Condições para utilização da plataforma. “É importante frisar que desativar indevidamente um entregador é ruim para o iFood”, destaca.

O POVO contatou novamente as empresas nesta sexta-feira, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. A reportagem entrou em contato também com a empresa James, que não havia se manifestado na quarta-feira.

Fonte: O Povo Online

Padrão do site