Auxílio-merenda e cestas básicas: veja como prefeituras e estados estão compensando ausência de alimentação nas escolas

 Auxílio-merenda e cestas básicas: veja como prefeituras e estados estão compensando ausência de alimentação nas escolas

Com isolamento social causado pela pandemia do novo coronavírus, crianças pelo país ficaram sem acesso à merenda oferecida nas instituições de ensino.

Com a pandemia do novo coronavírus e medidas de isolamento social, as aulas estão suspensas em todo o país. Com isso, estudantes da rede pública ficaram sem acesso direto à merenda oferecida pelas escolas.

G1 procurou governos estaduais e distrital e prefeituras de capitais para saber quais medidas têm sido tomadas para ajudar a família das crianças.

Rio de Janeiro

O governo estadual vai distribuir valores de R$ 100 a alunos da rede pública estadual em situação de extrema pobreza, que são atendidos pelo Cadastro Único e beneficiados pelo Bolsa Família, mas ainda não sabe quantos são. Algumas famílias receberão cestas básicas.

O auxílio será entregue através de um aplicativo, que ainda não foi definido pela Secretaria de Educação.

A prefeitura também dará um valor de R$ 100, destinado à compra de alimentos em supermercados, a alunos da rede municipal.

Até o fim de abril, 140 mil famílias cadastradas no Bolsa Família e no Cartão Família Carioca recebem o auxílio entregue diretamente nas escolas, “seguindo as orientações de distância mínima entre as pessoas”.

Minas Gerais

O governo mineiro tem o Bolsa Merenda, que deve distribuir tíquetes mensais de R$ 50 para cada um dos 2 milhões de estudantes da rede estadual em situação de extrema pobreza, inscritos no Cadastro Único.

O projeto ainda está em processo de implementação e deve começar até o fim de abril. A forma da distribuição não foi estabelecida.

Em Belo Horizonte, mais de 130 mil cestas básicas foram distribuídas a famílias da rede municipal de ensino e a pessoas em situação de vulnerabilidade pela prefeitura.

O benefício mensal começou no dia 31 de março e era destinado apenas aos estudantes. No dia 9 de abril, a iniciativa foi ampliada para alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), famílias incluídas no cadastro único dos programas sociais e trabalhadores informais que atuam nas ruas da capital.

Para evitar aglomeração, a prefeitura está fazendo a entrega em dias e locais diferentes, consultados pela internet.

Distrito Federal

No Distrito Federal, o governo distrital organizou dois auxílios.

O cartão creche dá um crédito mensal de R$ 150 a 23.383 crianças de 0 a 5 anos desde o fim de março. O pagamento é feito através de um cartão produzido pelo Banco de Brasília, entregue nas creches com horário marcado para evitar aglomerações.

Já a bolsa alimentação tem valores mensais que variam entre R$ 59,70 (para alunos que fazem apenas uma refeição na escola), R$ 119,40 (duas refeições) e R$ 179,10 (três refeições). O benefício chega a 106.435 alunos por meio do Cartão Material Escolar, dado no início de 2020.

Pernambuco

A prefeitura do Recife distribuiu 2,6 mil toneladas em alimentos para mais de 90 mil estudantes da rede municipal de ensino desde 18 de março. O benefício, que começou quinzenal, passou a ser mensal. Também foram distribuídos kits de limpeza.

As entregas acontecem nas próprias escolas, que apresentam marcadores no chão para que a distância de 1,5 metro seja respeitada.

Na quarta-feira (8), o governo estadual anunciou um um cartão-alimentação para cerca de 240 mil estudantes. O benefício, no valor de R$ 50, contempla alunos em situação de vulnerabilidade e começa a ser distribuído no dia 20 de abril.

G1 procurou o governo para saber como o valor será distribuído, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

São Paulo

O governo de São Paulo vai distribuir um subsídio no valor-base de R$ 55 mensais para a compra de alimentos para cerca de 732 mil estudantes da rede estadual.

Durante dois meses, o benefício dobra e passa para R$ 110 a 113 mil alunos em situação de extrema pobreza. O auxílio será entregue através do aplicativo PicPay.

No dia 2 de abril, a prefeitura começou a distribuição de vale-alimentação a 273 mil crianças de famílias em situação de extrema pobreza cadastradas no Bolsa Família.

Alunos de creches municipais receberão R$ 101 por mês, estudantes do ensino infantil R$ 63 e, do ensino fundamental, R$ 55.

O pagamento é feito por meio de um cartão que foi distribuído aos beneficiários. Até quarta-feira, 25% dos alunos já tinham recebido o cartão.

Na sexta-feira (10), a Justiça determinou que governo e prefeitura deveriam garantir merenda a todos os alunos da educação básica. A liminar atendeu a pedido da Defensoria e do Ministério Público.

As pastas municipal e estadual afirmam que ainda não foram notificadas, mas que, quando forem, vão recorrer da decisão.