Foto de capa: Fabio Rodrigues Pozzebom | Agência Brasil

CNBB manifesta preocupação com os recentes acontecimentos no STF e pede apuração dos fatos

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta quinta-feira, (10/09), a mensagem: “Pela verdade, pela justiça e pela preservação das instituições democráticas”, na qual manifesta preocupação com os recentes acontecimentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).

A mensagem aponta que a gravidade do momento e as legítimas interrogações presentes na sociedade brasileira exigem serenidade, responsabilidade e respostas institucionais claras.

Em um trecho do documento, a CNBB reforça que a Doutrina Social da Igreja recorda que a autoridade encontra sua razão de ser no serviço à pessoa humana e que, no Estado Democrático de Direito, todos estão submetidos à lei. “A independência e o equilíbrio entre os Poderes são condições indispensáveis para a preservação da justiça, da liberdade e da paz social”, diz um trecho do documento.

Defender as instituições democráticas, aponta a mensagem, não significa impedir o esclarecimento de eventuais irregularidades. “Ao contrário, a autoridade das instituições se fortalece quando os fatos são apurados com independência, imparcialidade, transparência e respeito ao devido processo legal. Ninguém pode estar acima da lei, assim como ninguém deve ser previamente condenado sem que lhe sejam assegurados o direito de defesa e as garantias constitucionais”.

Na mensagem, a CNBB reforça a necessidade de examinar os fatos no plenário do STF com transparência e sem permitir que o contexto seja usado para enfraquecer as instituições democráticas e para fins político-eleitorais. A CNBB aponta que, no esclarecimento dos fatos, seja rejeitado “tanto o silêncio diante de possíveis irregularidades quanto qualquer tentativa de enfraquecer as instituições democráticas”. Segue abaixo, a mensagem, na íntegra.

Confira, abaixo, a íntegra da Mensagem:

Pela verdade, pela justiça e pela preservação das instituições democráticas

“Ele te deu a conhecer, ó homem, o que é bom e o que o Senhor procura de ti: simplesmente praticar o direito, amar a bondade e caminhar humildemente com o teu Deus.” (Mq 6,8)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) acompanha com preocupação os recentes acontecimentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal e outras instituições da República. A gravidade do momento e as legítimas interrogações presentes na sociedade brasileira exigem serenidade, responsabilidade e respostas institucionais claras.

A Igreja reconhece a importância dos Poderes constituídos e de sua missão a serviço do bem comum. A Doutrina Social da Igreja recorda que a autoridade encontra sua razão de ser no serviço à pessoa humana e que, no Estado Democrático de Direito, todos estão submetidos à lei. A independência e o equilíbrio entre os Poderes são condições indispensáveis para a preservação da justiça, da liberdade e da paz social.

Defender as instituições democráticas não significa impedir o esclarecimento de eventuais irregularidades. Ao contrário, a autoridade das instituições se fortalece quando os fatos são apurados com independência, imparcialidade, transparência e respeito ao devido processo legal. Ninguém pode estar acima da lei, assim como ninguém deve ser previamente condenado sem que lhe sejam assegurados o direito de defesa e as garantias constitucionais.

Nesse sentido, a CNBB considera importante que questões de tamanha relevância institucional sejam examinadas pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, de maneira colegiada, pública e transparente, permitindo à sociedade acompanhar os procedimentos e conhecer os fundamentos das decisões. Espera, igualmente, que as instituições responsáveis pela investigação possam exercer suas atribuições com independência, segurança e respeito às competências constitucionais.

O momento também evidencia a necessidade de fortalecer os mecanismos de transparência, prestação de contas, responsabilidade ética e prevenção de conflitos de interesse no âmbito do Poder Judiciário. Por isso, a CNBB considera oportuno que o Código de Ética em elaboração pelo Supremo Tribunal Federal receba o devido encaminhamento institucional, oferecendo parâmetros claros de conduta e contribuindo para a proteção da autoridade da Suprema Corte.

Em pleno processo eleitoral, essa responsabilidade se torna ainda maior. Divergências legítimas não podem alimentar a desconfiança generalizada nas instituições, assim como crises e suspeitas não devem ser instrumentalizadas por interesses político-partidários. É dever de todos preservar as condições necessárias para eleições livres, serenas e confiáveis e para o respeito à vontade soberana do povo brasileiro.

A CNBB conclama os Poderes da República, suas autoridades e toda a sociedade a dialogarem, a promoverem o esclarecimento dos fatos, a rejeitar tanto o silêncio diante de possíveis irregularidades quanto qualquer tentativa de enfraquecer as instituições democráticas. O Brasil necessita de verdade sem manipulação, de justiça sem privilégios, de instituições que sirvam ao bem comum, de lucidez e paz.

A verdade não enfraquece as instituições. Quando buscada com justiça, transparência, humildade e respeito à lei, fortalece-as e fortalece a própria democracia.

Dom Jaime Cardeal Spengler

Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre – RS

Presidente da CNBB

 

Dom João Justino de Medeiros Silva

Arcebispo da Arquidiocese de Goiânia - GO

1º Vice-Presidente da CNBB

 

Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa

Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife - PE

2º Vice-Presidente da CNBB

 

Dom Ricardo Hoepers

Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília - DF

Secretário-Geral da CNBB

 

(Fonte: CNBB)

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